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segunda-feira, 9 de junho de 2014



INOCULAR O ANTÍDOTO
por Ruy Ventura

            O entretenimento noticioso dos primeiros dias de Junho de 2014 foi marcado, como o leitor bem sabe, pela vitória de uma freira italiana num daqueles concursos de faz-de-conta que iludem por esse ocidente fora centenas ou milhares de aspirantes à fama na música ligeira. Na sua página do Facebook, houve um católico que resolveu qualificar o acontecimento como uma manifestação das técnicas da “nova evangelização”. Não acredito que esse cristão tenha a convicção de que bastam sorrisos, pancadinhas nas costas, cantorias e atitudes levianas para conquistar fiéis. Terá usado a ironia – e fez bem – embora o assunto mereça sobretudo sarcasmo ou a mais veemente reprovação.

            Não gostaria de estar na pele dos pastores de algumas comunidades católicas. Como é bem sabido, entre os militantes sinceros dessa tradição cristã (onde me incluo, como se sabe) há um discreto, mas activo, grupo de pessoas que aí se alojaram para colocarem em prática um aparente paradoxo. Por um lado, promovem nas suas paróquias um novo mau gosto religioso, pressionando os sacerdotes a ornamentarem o espaço cultual e a animarem as celebrações com o que há de pior na qualidade estética. Ou seja, “obrigam” à realização de restauros que destroem ou removem obras de arte valiosas e/ou expressivas, à instalação de cartazes horrendos, à compra de objectos de fancaria e, em consonância, à introdução nas missas e noutros ritos de práticas musicais que são uma das faces da sociedade de consumo, no que ela tem de espectáculo bizarro, grotesco, degradante porque acéfalo e alienante. Trata-se de um caminho fácil, que leva os crentes incautos à penúria cultual e cultural e a destruírem o que lhes resta de pensamento autónomo e poliédrico, aquele que propicia o acolhimento de uma dimensão sobrenatural da realidade e conduz à dignificação social e ao impulso criador e colaborante com Deus. Pelo outro lado, difundem sub-repticiamente, empáticos e simpáticos, um fechamento eclesial muito preocupante, retrocesso rejeitado pela Igreja Católica, sobretudo desde o pontificado de são João XXIII. Colaboram, assim, consciente ou inconscientemente, com o “inimigo”, pois mais não fazem do que aplaudir, promover e incentivar as piores práticas do capitalismo selvagem, tão frontalmente denunciado pelo papa Francisco, aquele que manipula as mentes a toda a hora para melhor as dominar, aquele que distingue as pessoas em função do seu poder económico e social, desprezando as periferias, rendendo-se ao dinheiro e às suas seduções divisoras, ou seja, diabólicas. Não se trata de promover a cultura tradicional dos povos, tão rica de espiritualidade e inconformismo, mas de rebaixar o culto introduzindo nele elementos (falsamente chamados “populares”) que só distraem, perturbam e afastam da Cidade de Deus.

            Como contraponto a essa euforia em torno de alguém que resolveu passar, ainda que momentaneamente, “do convento para o cabaré”, não para converter mas para se tornar visível (Deus lhe perdoe, talvez não soubesse o que fazia…), euforia promovida pela comunicação social ao serviço do poder económico-financeiro (por quem haveria de ser?), recordei momentos inolvidáveis. Lembrei quanto me emocionou em Grândola o Mistério do Cristo dos Gascões, drama sacro medieval vindo de Segóvia na Semana Santa deste ano e chegado às terras do litoral alentejano pela mão do justamente reconhecido Festival Terras Sem Sombra. Fui ainda reler a entrevista recentemente dada por Rui Vieira Nery ao nº. 8 da Invenire.

            Para todos os crentes, a mais alta música litúrgica e sacra (para não dizer, toda a elevada criação artística), produzida ao longo de mais de mil anos de história, teve na sua génese uma assistência do Espírito Santo. Interessam pouco as filiações religiosas dos compositores. O que mais vale é essa música, não erudita mas ascensional (na medida em que nos leva ao Alto), que nos faz subir àquele Infinito a que os crentes chamam Deus. Nessa comunicação com o Inefável, ou seja, nesse contacto com a Altitude Suprema, nós próprios transcendemos as condicionantes que transformam todos os dias a nossa vida em mera existência.

            Só uma deficiente formação religiosa ou enquistamentos que levaram a um empobrecimento espiritual e cultural poderão levar tantos católicos (clérigos e leigos) a desejar ouvir nas suas igrejas algo que até pode ser espectacular (ou seja, alienante), mas nunca estimulará a espiritualidade no que ela tem de amor a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos. Substituir a verdadeira música sacra, antiga ou contemporânea, tradicional ou não, por entretenimento nos arredores da sacristia é prestar um péssimo serviço aos fiéis, à Igreja, à sociedade e a Deus, compactuando com o que há de mais boçal e rasteiro no nosso tempo.

            Por isso considero de tanta valia o trabalho desenvolvido por algumas instituições, como a comunidade ecuménica de Taizé, a diocese de Beja – que neste ano organiza pela décima vez oFestival Terras Sem Sombra – ou o Seminário de São Paulo de Almada. Num tempo em que a todo o momento e por todos os meios se injecta nas nossas mentes o veneno do relativismo e do rebaixamento moral, ético, social e cultural, as suas iniciativas vão inoculando num número crescente de pessoas o antídoto que talvez as possa salvar. Não é o mesmo ouvir em contexto religioso Plummer, frei Manuel Cardoso, Bartok, Bach, Feldman, Mozart, Messiaen ou um coral alentejano e aguentar no mesmo espaço uma cantoria mal amanhada, vinda da terra dos “fenómenos” ou dos seus arredores, mesmo que sejam no Brasil...

            Como afirma Rui Vieira Nery na entrevista supracitada, não “se pode, na liturgia, competir com a indústria de entretenimento, utilizando os mesmos instrumentos e a mesma estética”, porque aí – até quando? pergunto eu – “Nunca teremos fumos, bailarinas, cenários, foguetes e luzes”. Apimbalhar as celebrações, tirando delas o mistério que é a sua essência e as justifica, nunca será aproximar os fiéis da Igreja. É participar no envenenamento dos crentes ou assistentes, que já muito andam envenenados – e por isso reivindicam a toda a hora o que nunca lhes deverá ou deveria ser dado. Volto ao testemunho crente do musicólogo: “Uma coisa é investir na comunicação e na partilha daquilo que se faz na Igreja, outra é a ideia de seguir o gosto dominante das indústrias culturais massificadas”.

            Para que não se diga que defendo o “elitismo” – a chapada do costume, quando surge alguém a defender a elevação cultural, dentro e fora da Igreja, como o melhor método de resistência contra a alienação, tão estupidificante, do nosso tempo –, além do referido festival, que vivamente aconselho, recordo dois CDs. São exemplos do que se pode fazer e difundir, sem nunca ceder à promoção da penúria mental. Um deles intitula-se Cânticos da Tarde e da Manhã, cantado por Teresa Salgueiro e editado pelo Seminário de Almada, na diocese de Setúbal, a partir de uma iniciativa do padre Rodrigo Mendes. Ouvi-lo não deixa ninguém indiferente… O outro, já clássico, é a colectânea Cânticos Alentejanos, do coro do Carmo de Beja, com direcção artística do padre Cartageno. Aí a tradição mais autêntica casa-se com a espiritualidade aberta e consciente dos alentejanos, daqueles que vêem no firmamento e nas vistas largas da sua planície uma expressão da vastidão da divindade.

             Inocular o antídoto é fazer como em Beja, Almada e noutros lugares que marcam a diferença: acolher e divulgar o tesouro de um património musical imenso, aceitar e incentivar o que há de melhor no “erudito” e no “popular/tradicional”, abrir as portas à criação contemporânea, desde que ela corresponda a padrões de qualidade inegociáveis e leve à conservação e a um mais atento usufruto do depósito da fé. Quem diz na música, diz noutras dimensões da vida eclesial, porque não há culto sem cultura e, já agora, cultura sem culto “em espírito e verdade”.

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Beleza em tempos de guerra
 

[…] alguém duvidará, ainda, de que estamos em guerra?” – A pergunta obriga-nos a suspender o passo e a enfrentar a barbárie. Vêm-nos à memória imagens que gostaríamos de esquecer: crianças que não se concentram na escola porque têm fome; velhos que vão definhando porque não têm dinheiro para aviar os medicamentos (enquanto outros gastam centenas de euros numa noite só); homens e mulheres catando no lixo dos supermercados alimentos fora de prazo para matar a fome (e ao lado o luxo, indiferente, exibindo-se); a frieza dos governantes pugnando pela redução do orçamento público da educação e da saúde (nunca dizendo que os filhos estudam em colégios privados e consultam médicos nos melhores hospitais particulares); e muitas, muitas outras…
De repente, ao lado do aviso de guerra, ouço as palavras de María Zambrano, lidas há pouco no seu livro A Agonia da Europa: “Ser cristão é também não se resignar, agarrar-se à esperança no impossível”. As duas juntas, constatação e exaltação, enrijam e preparam para a luta: – uma luta de paz, mas de firmeza, contra o logro, contra um mundo centrado nesse demónio chamado dinheiro, contra aqueles que dissolvem deliberadamente a dignidade humana por actos ou omissões.
A frase com que iniciei este texto é de José António Falcão. Faz parte do texto de abertura do programa do festival “Terras sem Sombra”. Creio que, ao escrevê-lo, também deve lhe ter passado pela mente, consciente ou inconscientemente, a definição da filósofa espanhola. Todo este evento, que se realiza pela nona vez, se estrutura sob o signo da Beleza, não dispensando contudo na sua proposta sólida uma Verdade ecuménica que não se impõe e uma Bondade que nos interpela:
A Verdade e o Bem têm sido apontados insistentemente, no último século, como via privilegiada para Deus. Porém, a Beleza não o é menos. Hoje vemo-nos órfãos dela e desejamo-la ardentemente. Alguém duvidará de que saber descobri-la e partilhá-la representa uma prova suprema de amor?” (p. 10)
Descobrir – “inventar” no melhor sentido etimológico – e partilhar a Beleza será a tarefa suprema dos seres humanos, porque ao mesmo tempo, discretamente, estará oferecendo também a Verdade e o Bem, escadas para o Divino, que se concretiza na mais sólida e inviolável dignidade do Homem e da Natureza. Passar da “tolerância”, quase sempre indiferente e relativista, à “benevolência”, ao desejo activo do bem comum – como dizia e bem o papa emérito Bento XVI. E sabemos hoje o quanto nós, seres humanos, dependemos de uma natureza amada e preservada, o quanto a nossa existência depende dessa devoção:
[…] Arte, cultura, espiritualidade e conservação da natureza são as armas de uma resiliência necessária em tempos de escolhas. Ser faber ou sapiens, eis o que está em jogo.” (p. 28)
Por isso precisamos tanto de “ração de combate” nestes tempos de guerra fria, surda e suja, porque a “ração” – as palavras não mentem e ainda menos as suas raízes – será sempre uma “razão” de combate, desse “bom combate”, como dizia São Paulo, pela imanência e pela transcendência.
Um conjunto de concertos ajudará pouco nestes tempos, dirão. Asseguro-vos contudo que ouvir, no vazio (espaço aberto dentro de nós), Machaut, Escobar, Mozart, Pergolesi, Haydn, Ligeti ou Schönberg, enquanto se contemplam belas esculturas e pinturas que tornam visível um Espírito que nos consola, será encontrar a nascente da esperança, essa que nenhum de nós, crente ou descrente, poderá perder, como já referiu o papa Francisco, que decerto não esqueceu o Amor (Charitas) como centro de tudo.
Volto às palavras de José António Falcão, à sua habitual sabedoria (espero que um dia decida recolher em livro essas suas reflexões):
[…] Eis o momento em que tudo depende da capacidade de julgar, com lucidez e serenidade. Nestas circunstâncias – alguém duvidará, ainda, de que estamos em guerra? –, um módico pecúlio de coisas fundamentais pode fazer a diferença. O soldado sabe que a ração de combate lhe permite sobreviver, ganhar forças para fazer frente aos obstáculos do inimigo e prosseguir até à fonte que saciará a sua sede e ao vergel que fartará a sua fome. […]” (p. 15)
Neste tempo de guerra não podemos faltar à Beleza, pois sem ela nunca a Verdade e o Bem constituirão por si só o triângulo sagrado. Com firmeza e lembrança, temos de recordar sem rancor quem foram os judas desta peleja, mas também os nossos “excessos de confiança” e a nossa “complacência face aos corruptos (e aos seus corruptores)” (p. 22). Com alegria e esperança, “sem queixumes”, temos de arregaçar as mangas porque são necessários “sinais de confiança”. Este marco da cultura no Alentejo “assume-se como um deles”. (Talvez um dia se alargue além da diocese de Beja, assim queiram os alentejanos dos distritos de Évora e de Portalegre…) Temos de dar outro uso à frase tristemente célebre de um governante: custe o que custar, não podemos acabar, por falta de água, à beira da nascente. Não fomos castigados como Tântalo, apesar das nossas faltas. Saibamos pois descobrir a beleza que as “Terras Sem Sombra” nos oferecem neste tempo de guerra para que, depois, reconciliados connosco e com o mundo, possamos descobri-la dentro de nós e à nossa volta.

Ruy Ventura

terça-feira, 15 de maio de 2012



TERRA COM SOMBRA


         Se no princípio do Universo esteve – como creio – a aliança entre o Pensamento e Palavra, só pela Palavra e pelo Pensamento cresceremos no confronto e na aceitação do mistério que nos transcende e nos rodeia. Só com a ajuda da sabedoria nascida do Verbo (encarnado há cerca de dois mil anos) poderemos reconciliar-nos com o Mundo, com o Outro e, sobretudo, connosco – neste tempo tão complexo, de sociedade em crise, à procura de um novo paradigma civilizacional. Não interessa se a Sabedoria nos chega por palavras, por imagens, por sons, por movimentos ou pela contemplação do “jardim do mundo”. Vale a pena tão só aceitar, entender e praticar com humildade os seus atributos: “há nela um espírito inteligente e santo, / único, múltiplo e subtil, / ágil, penetrante e puro, / límpido, invulnerável, amigo do bem e perspicaz, / livre, benéfico e amigo dos homens, / estável, firme e sereno, / que tudo pode e tudo vê, / que penetra todos os espíritos, / os inteligentes, os puros e os mais subtis” (Sabedoria, 8: 22 – 23).
         Verdade seja dita que há também palavras que nos salvam ou que, pelo menos, nos consolam. Lembro, por exemplo, quanto me pacificou, há uns anos, a dedicatória inscrita por José António Falcão numa das suas mais belas obras (A a Z – Arte Sacra da Diocese de Beja, 2006): “Este livro é dedicado a todos os que, saindo do Alentejo, não o abandonaram”. Alentejano exilado por vontade alheia, na co-movente Península da Arrábida, tão simples frase teve a capacidade de cauterizar feridas ainda recentes de alguém que continuava a martelar a letra de um velho fado: “Abalei do Alentejo, / olhei para trás chorando. / Alentejo da minh’ alma, / tão longe me vais ficando”.
         Já tive oportunidade de manifestar a minha integral admiração pelo trabalho desenvolvido no Baixo Alentejo pelo Departamento do Património Histórico-Artístico da Diocese de Beja. Não vale a pena repetir razões, tantas elas são. É contudo, importante, sublinhar o seu exemplo clarividente, em áreas só aparentemente separadas da preservação e divulgação dos bens artísticos da Igreja Católica. Bastará recordarmos a sua abertura ao Outro e ao mundo poliédrico da Cultura contemporânea, a revitalização dos Caminhos de Sant’ Iago no sul de Portugal ou o Festival “Terras sem Sombra”, neste momento a decorrer na sua oitava edição. Mesmo no “exílio”, penso que todos os alentejanos se sentirão serenamente felizes ao verem a sua terra como palco de um evento musical com ecos espalhados pelo mundo fora.
         É belo o seu nome, “Terras Sem Sombra”. E ainda mais belo ao revelar, aos ouvidos de quem o saiba entender, a essência da espiritualidade do Alentejo – proposta ao Mundo. Para compreendermos esta “terra sem sombra”, tão minguada de gentes, é preciso meditar os dois primeiros versos da quadra que deu origem ao título: “O Alentejo não tem sombra, / senão a que vem do Céu.” Não tem sombra material. É quase um deserto (aquele deserto que tanto aproximou os homens de Deus, no confronto com o interior e o exterior do seu ser). Tem apenas a sombra “que vem do Céu” (como diriam os místicos islâmicos heterodoxos). Ou seja, o Alentejo possui a terra inteira dentro de si, porque toda a criação, aos olhos do crente, é uma “sombra de Deus”, uma manifestação da realidade divina. Abdicou – e transformou-se em rei de si próprio (como diria Fernando Pessoa por Ricardo Reis).
         Sem sombra divina, não teria alma. Por isso me permito afirmar que a música do espírito apresentada pelo Festival “Terras sem Sombra” revela, na ausência de matéria, uma outra sombra que é, no fundo, um símbolo da Vida, daquela que transcende a existência. Tem pois José António Falcão toda a autoridade para espicaçar os ouvintes do festival com um texto claro e perturbador na sua análise e nas suas propostas. Interpretando a espiritualidade alentejana como proposta e exemplo, afirma no programa do evento:
         “Se o ‘tempo dos guerreiros’ e o ‘tempo dos agricultores’ souberam reconhecer até que ponto a benevolência apaziguada e a violência extrema se podem cruzar na natureza, o ‘tempo dos mercadores’ entregá-la-ia a uma pilhagem sem precedentes, exacerbada pela industrialização , que conduz o planeta até à fronteiras do descalabro. […] Depois do caçador, do lavrador, do metalurgista, do comerciante, emerge cada vez com maior nitidez a imagem do cuidador de um jardim que, como arquétipo, se projecta sobre os quatro pilares da sustentabilidade: ambiente, economia, sociedade, cultura. […] Este jardineiro […] vislumbrado [por Charles Péguy] não será, afinal, o mesmo que apareceu a Maria Madalena, junto ao túmulo, após a Ressurreição […]?
         Ameaçado e em grande perigo, o planeta só salvará se os homens de boa vontade souberem interpretar “a sombra que vem do Céu” e cuidarem do “jardim do mundo” em paz e harmonia. É, para isso, necessário, acolhermos o mistério da Vida e percebermos que esse acolhimento só acontecerá se abrirmos no nosso interior o espaço necessário, entrevendo – como refere J. A. Falcão – “a essência criadora do nada”, tão próxima quando vivemos a boa, a bela e a verdadeira terra do nosso Alentejo.

Ruy Ventura